Memórias

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O rádio relógio despertou às 04h20. No auge dos meus 21 aninhos, acordo cedíssimo para o meu primeiro dia de trabalho em SP, perto do Aeroporto de Congonhas. Longe, muito longe de Suzano.
Meu tio me levou para a Estação Calmon Viana para pegar a Linha 12 que antes, muitos chamavam de Variante.
Ia para lá porque segundo ele essa linha seria melhor pois pegaria sentada até o Brás, mesmo com o “pinga pinga” pelo caminho.
Assustada e apreensiva com a novidade, encarei o potoque. Logo na entrada, obviamente empurrada por todos, não sentei e fiquei próxima a porta, que na época, não fechava.
Um homem começa a berrar ao longe: “Atenção, freguesia: cortador de legumes para a dona de casa! Não precisa afiar e é só sair usando”.
Quando vejo, ele vem se aproximando com uma caixa gigantesca na mão, com um repolho e várias cenouras dentro e o test-drive era ali, na hora, no meio do vagão.
Fiquei pasma com a prática que ele tinha para cortar aquele repolho! O ruim é que se você não tomasse cuidado sairia dali cheia de pedacinhos tanto dele quanto das cenouras raladas.
Não tenho ideia em que estação ele parou de berrar, mas lembro dessa cena até hoje.
À essa altura, o trem já estava abarrotado e eu que estava na porta, fui parar no meio do vagão, com a ponta do dedo da mão tentando segurar a barra de ferro. Não sentia mais meus pés e eles também não sabiam mais a quem pertenciam.
Quando cheguei no Brás, como uma barata tonta, saí em busca do Metrô. Como uma bela de uma novata, fiquei rodeando para lá e para cá até encontra-lo.
Meu novo destino: Anhangabaú.
Chegando lá, acho que pela tensão do momento, comecei a sentir uma intensa necessidade fisiológica. Ao perguntar onde ficava o banheiro, recebi a resposta que isso não existia por ali.
Gelada, rezei porque era a única coisa que me restava fazer e segui viagem, em busca do ônibus para complementar meu trajeto.
Por sorte, consegui chegar inteira e limpa até o local, encarando assim meu primeiro desafio de gente grande nos trilhos depois de quase três horas e desde então, enchendo minhas memórias com várias histórias desse dia a dia.

Publicado hoje no Jornal DAT (www.jornaldat.com.br)


5 comentários:

  1. muitos de nós passamos por essa fase...

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  2. hahaha, a primeira viagem de tem a gente não esquece!

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  3. hahaha, a primeira viagem de tem a gente não esquece!

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  4. hahaha, a primeira viagem de tem a gente não esquece!

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  5. Também sou de Suzano e já peguei o bendito trem de Calmon, na época que tinha que subir a escada velha de madeira... Sinistro, rsrs

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