Enrosco

Deixe um comentário...
Todos sabem que é pleonasmo dizer que em horário de pico tudo é lotado.
É utópico querer que nesses momentos possam ter sempre carros vazios chegando e os usuários entrem educadamente e sentem em seus devidos lugares.
Partindo, portanto, que sempre estaremos espremidos indo e voltando do trabalho, os momentos tensos naturais de seres humanos que somos farão presentes justamente quando você não pode se mexer.
Uma das situações mais críticas que já passei num vagão lotado e num dia com muito calor, é a bendita coceirinha.
Gente, quando ela bate, seja lá em que parte do corpo, é de judiar quando a gente não consegue sanar logo com essa situação.
Eu estava imprensada entre três pessoas – duas ao lado e uma atrás – e quem disse que eu conseguia alcançar o ponto exato do meu ombro direito para coçá-lo?
Nossa! Só quem passou por isso sabe o sufoco que é quando você precisa se coçar e não consegue. Se fosse a perna, seria mais fácil porque era só esfregar uma na outra e resolvia tudo, mas o ombro?
Pedir para a pessoa ao meu lado ou de traz coçar estava fora de cogitação. Vai que ela interpreta de outra maneira!
O jeito foi ficar mexendo as costas para lá e para cá, tentando fazer com que a blusa me ajudasse no “esfrega-esfrega” e minimizasse meu desconforto.
A concentração ajuda muito nessa hora também. Tentei ver além da janela, para os lados, para o celular, mas era difícil.
Só me recordo que foram árduos 40 minutos de trajeto até que conseguisse de vez fazer com que meus dedos alcançassem o local exato do sofrimento. Que alívio foi aquilo!
Outra sensação tão desesperadamente humana e que às vezes, me aflige, é a fome na volta para casa.
Outro dia, saí com muita fome de um cliente e fui para casa. No caminho, trem lotado, senti um cheiro forte de carne maluca! Manja aquele lanche maravilhoso de festinha de criança? Pois é, para mim, era ele.
Mas, como identificar o dono de tal guloseima no meio da multidão para pedir um pedaço? Impossível.
Só sei que o cheiro só aumentava a cada segundo, a cada parada e de repente, sumiu, me restando uma fome ainda maior dentro daquele enrosco.




0 comentários:

Postar um comentário