Tremeliques

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Estamos no Inverno.
E confesso que essa época do ano é a pior para mim. Sempre fui uma pessoa do Sol, do calor, me dá uma sensação de liberdade acordar e ver a Luz, materializada no Verão.
Como não sou ursa para hibernar e dormir até que os dias quentes me embalem, o jeito é ir me virando como posso, controlando o treme-treme que mora em mim nesses momentos gélidos.
Na verdade, essa ideia de ser ursa já não me interessa tanto porque afinal de contas perderia um bocado de tempo da minha vida, não é mesmo?
Aqui vale a regra do “se não pode com ele, junte-se à ele” e é assim que vou levando tudo o que para mim tem de pior nesse frio.
Tomar banho, por exemplo.
Estou ali toda quentinha, agasalhada e lembro que para executar a ação acima, vou precisar sair dessa condição, pisar na cerâmica gelada do banheiro e até que a água esquente, já bati todos os dentes de tanto tremer.
Depois desse ritual todo, como não podemos desperdiçar água e tomar banhos rápidos, assim que começo a me esquentar, já tenho que desligar o chuveiro e novamente, vem o drama de sair do quentinho.
É horrível esse dilema diário!
Outro sofrimento é na hora de dormir.
Morrendo de sono, reluto para deitar porque sei que a cama estará gelada. Como será inevitável ter que deitar, vou me esgueirando bem devagarzinho, tentando encontrar o lugar menos gelado.
Fico ali, parada, com os cobertores todos enrolados sobre mim e só a pontinha do nariz para fora, tão encolhida que chega a doer o corpo todo.
Por sorte, logo começo a me esquentar e aí, o que se inicia? Outro dilema!
Como uma pessoa agitada que sou, é óbvio que não conseguirei ficar parada na mesma posição durante muito tempo, começando tudo de novo a busca de um lugar quentinho assim que me virar para o outro lado da cama.
E por aí vai! Todo dia, a mesma coisa.
Até que a alegria chegue para mim, onde poderei amanhecer com aquela claridade toda a esquentar tudo, até minha alma, que confesso, fica mais reflexiva no período em que estamos agora.

Publicado no Jornal DAT

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