Onde o seu calo aperta?

Deixe um comentário...

Onde o seu calo aperta?

Essa semana li uma matéria onde uma mãe responde um bilhete enviado pela escola e para mim foi uma resposta muitíssimo coerente.
A escola endereçou o bilhete “À mamãe” e ela contesta que na verdade, a escola deveria iniciar a solicitação escrevendo “Aos responsáveis”, justificando que no mundo de hoje podem haver vários tipos de relacionamentos e responsáveis pela criança: avós, tios, tias, somente mães, somente pais.
Ou mesmo a escola pode reforçar, com essa atitude, que somente a mãe é que precisa cuidar desses afazeres escolares, eximindo o pai de tal responsabilidade, como tanto vemos durante vários anos: a mãe/mulher que fica em casa com toda a responsabilidade doméstica, afetiva e muitas vezes, provedora também financeiramente do lar.
Compartilhei essa matéria e houve um comentário sobre ela da seguinte maneira:  “E assim, o mundo fica cada vez mais chato e cheio de regras”, com a justificativa posterior de que o bilhete estava coerente já que a mãe é que “cria e alimenta o filho”, enfim, me veio a seguinte reflexão: essa frase do mundo cada vez mais chato por conta das regras que hoje são impostas do politicamente correto, só vamos entender quando o nosso calo aperta.
O meu aperta muito porque me vejo na situação retratada: a mãe que trabalha o dia todo e ao chegar em casa, tem a atividade numero dois que é justamente cuidar do filho, do que ele traz da escola, lições e afins e isso desde o início de sua atividade escolar, praticamente, sua vida toda, por isso, me identifiquei com a matéria e prontamente, a defendi.
O mesmo vale quando vemos os nossos amigos lutando pelo racismo, por exemplo. Quantos de nós, brancos, falamos: “ah, entre eles mesmos se tratam como Negão e agora ficam reclamando?!”
Ninguém sabe da dor do outro a não ser que passamos por ela. O bullying só dói quando atinge de cheio a nossa alma.
Não posso criticar quem defende uma causa, se eu nunca fiz parte dela.

Nunca passei fome, nunca vivi num ambiente violento, nunca sofri racismo, nunca sofri nenhum preconceito, mas procuro aprender (sim, porque ainda falho), a tentar enxergar o que há por trás de cada luta.

Julgar é muito fácil quando não se está do lado lá.

Texto de hoje, fora dos trilhos, no Jornal DAT.

0 comentários:

Postar um comentário