Intimidades

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Intimidades

A rotina nos trilhos pode nos trazer uma falsa intimidade com as pessoas que estão no mesmo aperto que nós. Talvez uma certa empatia nos envolva e quando menos esperamos já estamos participando, ora ativamente ou apenas como espectadores, de todas essas situações. Tornamos-nos em inúmeras vezes aqueles pescoções inconvenientes, ao olharmos fixamente para a tela do celular do outro tentando ler os enredos dramáticos de DRs entre as pessoas.
Também ficamos enternecidos quando os textos que roubamos a leitura nos mostra palavras de amor do tipo: "Oi, Fofinha..Tá 'tutu bem cum vuxê hj?', "Tutu bem, xuxuzinho". É de querer um amor melado assim também, fala a verdade? Quando ouvimos uma conversa de alguém sofrendo por algo, é inevitável queremos chegar para pessoa e falarmos: "Vem cá! Dá um abraço". Ou no mínimo oferecer aqueles mil conselhos que ninguém pediu, mas mesmo assim falamos.
Nos entregamos às piscadelas iniciais discretas para assistirmos o filme do próximo mais próximo, torcendo para que o trem se arraste e consigamos no mínimo, descobrir o nome daquilo que está nos prendendo. Tá bom, seria mais fácil perguntarmos, mas assumir uma intimidade não ofertada, não é tão simples assim. Acho que aqui entra o medo de sermos descobertos. Ninguém quer ter a fama de curioso, mas todos somos.
Que atire a primeira pedra quem nunca passou uma situação assim durante uma viagem. E com certeza também já fomos alvos de momentos íntimos não autorizados. Perdi a conta de quantas pessoas já olharam o que estava lendo, escrevendo ou assistindo. O duro é quando você não quer ser invadido dessa maneira. Nem sempre é possível. Na verdade, quase nunca é possível, já que um trem vazaio, nem na época de festas natalinas acontece.
Então, o que nos resta, é tentar não estressar e continuar nessa troca. Quem sabe não nos tornamos realmente íntimos ou pelo menos, a gente passe a interagir como seres humanos, se apresentando àquele que tem algo que tanto está nos atraindo. 

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